A história do Vinho do Porto

Porto, Portugal 0

O Vinho do Porto é uma das bebidas mais tradicionais e conhecidas de Portugal. Esse vinho tem como característica o alto teor alcoólico e o sabor muito adocicado. Tanta tradição fez com que a região dos vinhedos do Rio Douro fosse considerada Patrimônio da Humanidade pela ONU. Mas você sabia que na verdade o Vinho do Porto, apesar do nome, não é feito no Porto? Se não sabia, então vem comigo que te explico tudinho nesse post.

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A HISTÓRIA DO VINHO DO PORTO

Vinhedos ao longo do Rio Douro. Crédito: Feliciano Guimarães (CC BY 2.0), Commons.Wikimedia.

Não se sabe exatamente quando surgiu o Vinho do Porto. A história que se conta é que, durante o século XVII, dois comerciantes ingleses encontraram alguns monges do mosteiro de Lamego (cidade a leste do Porto) bebendo um vinho local extremamente alcoólico e doce. Os comerciantes ficaram fascinados com aquela bebida, comprando grandes quantidades para enviar para a Inglaterra, vendendo tudo rapidamente.

Naquela época questões econômicas fizeram com que Colbert, ministro de estado e da Economia de Luís XIV, adotasse uma série de medidas visando restringir a importação de bens ingleses para território francês. O rei inglês Charles III, por sua vez, aumentou o imposto de importação sobre os produtos franceses, tornando impraticável a compra dos vinhos franceses e obrigando os comerciantes ingleses a buscarem outros mercados.

Assim como os dois comerciantes ingleses, outros buscaram aproveitar a oportunidade e começaram a vender o vinho português, cujo sabor havia atingido em cheio ao gosto do consumidor inglês. Para facilitar a produção e o transporte do vinho, os comerciantes ingleses se estabeleceram na cidade do Porto, e por isso existem tantas caves com nomes ingleses, tais como Sandeman, Taylor’s, Graham’s entre outras. O vinho produzido era trazido para a cidade, onde era embarcado e enviado para a Inglaterra, passando a ser reconhecido então como Vinho do Porto.

CARACTERÍSTICAS E TIPOS DE VINHO DO PORTO

Crédito: Cornelius (CC BY-SA 2.0), Commons.Wikimedia

O Vinho do Porto tem duas características principais: possui teor alcoólico bem acima da média dos outros vinhos, além de ser extremamente doce. Para conseguir esse resultado, o método ainda é o mesmo utilizado pelos monges de Lamego: os produtores interrompem o processo de fermentação através da adição de aguardente de uva, mantendo a maior parte do açúcar das uvas e dando ao vinho o sabor que o consagrou no mundo todo.

A maioria das caves produz três tipos de vinho: ruby, tawny e branco, além das categorias especiais, que costumam variar de cave para cave.

RUBY – vinho tinto envelhecido em tonéis de madeira de carvalho. Seu envelhecimento é curto (entre dois e três anos) e apresenta coloração mais escura e sabores frutados, que remetem a frutas vermelhas. 

TAWNY – vinho tinto que envelhece de dois a três anos em balseiros, depois é transportado para pipas de 550 litros. Esse processo permite um contato maior com a madeira e com o ar, aumentando a sua oxidação. Isso dá ao vinho uma coloração mais âmbar, aroma amadeirado e sabor de frutas secas. Quanto mais velho for um tawny, mais complexo fica seu sabor.

BRANCO – feito com uvas brancas selecionadas e envelhecidos em tonéis de madeira por dois ou três anos, podendo ser doce ( também conhecido como lágrima) ou mais seco.

Vila Nova de Gaia, às margens do Rio Douro, onde ficam as caves de Vinho do Porto.

O MARQUÊS DE POMBAL ENTRA EM CENA

No início do século XVIII, o Vinho do Porto era um sucesso, com sua produção – e exportação –  alcançando um crescimento incrível. Tal sucesso atraiu o interesse de comerciantes e produtores mal intencionados que muitas vezes se valiam de processos fraudulentos para produzir um vinho de qualidade inferior e vendê-lo como um Porto autêntico. Assim, para corrigir esses problemas, em 1756 o Marquês de Pombal, na qualidade de Ministro de Estado de Portugal, ordenou o controle da produção do Vinho do Porto pelo governo português através da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, uma empresa estatal que detinha o monopólio da produção. Dessa forma o autêntico Vinho do Porto só podia ser produzido dentro da região vinhateira demarcada pelo Marquês, e seguindo rigorosas regras de produção e qualidade. Embora impopulares na época, as medidas criadas pelo Marquês foram as responsáveis pela preservação das características e renome do Vinho do Porto.

A sede da Companha Geral em 1910. Fonte: Commons.Wikimedia.

AS CAVES DE VILA NOVA DE GAIA

Ponte Luis I, que liga o as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, em Portugal

Atravessando a ponte Luís I, chega-se em Vila Nova de Gaia, onde estão instaladas muitas caves de Vinho do Porto, a maioria delas aberta a visitas. Nós escolhemos visitar a Calem, uma das caves mais antigas e famosas.

Entrada da Calem, uma das caves mais importantes do Porto.

As visitas acontecem diariamente e são feitas em vários idiomas. A visita dura aproximadamente uma hora e meia, com o guia explicando detalhadamente a história do Vinho do Porto e suas características, a história da Calem e como o vinho é armazenado, etc. O passeio abrange diversas dependências da cave, e é possível observar de perto os grandes tonéis de madeira utilizados para armazenamento do vinho. Ao final da visita é feita uma degustação com dois tipos diferentes de Porto e por fim a loja da Calem, onde o visitante pode adquirir seu vinho (acredite, você vai querer comprar).

Vinho do Porto para degustação na cave Calem, em Porto.

CALEM

Av. Diogo Leite, 344, Vila Nova de Gaia.

Para saber os horários, preços e tipos de visitas, consulte o Site Oficial.

Crédito da imagem destacada: Jairo (CC BY 2.0), Commons.Wikimedia. 


IMPORTANTE: Preços e horários podem mudar sem aviso prévio. Consulte SEMPRE os sites oficiais para não ter surpresas em sua viagem.

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    Umberto Oliveira

    Umberto Oliveira

    Olá, eu sou o Umberto. Historiador de formação, viajante por opção. Resolvi criar um blog para juntar essas duas paixões e compartilhar um pouco das minhas experiências. Preparados para viajar na história?

    continue viajando na história

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