A Basílica de Saint-Denis, onde descansam os reis da França

França, Paris 0

Para muitos brasileiros, Saint-Denis é sinônimo de tristeza e desapontamento, pois foi nessa pequena cidade ao norte de Paris onde aconteceu a final da Copa do Mundo de 1998, com a vitória dos franceses – de goleada –sobre a Seleção Brasileira. Curioso o fato de que o primeiro título mundial da França tenha sido conquistado em um dos locais de maior importância na representação da história francesa. Saint-Denis, além de sede do moderno Stade de France, também é a sede de uma antiga basílica que homenageia o primeiro bispo de Paris, e onde boa parte da história da França pode ser contada através das inúmeras tumbas nela contidas. Vamos viajar na história da França?

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QUEM FOI SÃO DENIS?

Pouco se sabe sobre a história de São Denis. A maior parte das informações sobre ele vem da Historia francorum (História dos francos), obra escrita por Gregório de Tours no século VII, que nos conta que São Denis foi um dos sete bispos enviados à Gália na tentativa de converter os moradores da região. Era bispo de Paris (na época conhecida como Lutécia) quando o Imperador Valeriano começou uma campanha de perseguição aos cristãos. Em 258 d.C.  São Denis foi decapitado e enterrado em um pequeno vilarejo ao norte de Paris. Diz a lenda que após ser decapitado numa colina onde hoje está situado o bairro de Montmartre, em Paris, São Denis caminhou por quilômetros carregando a cabeça nas mãos, até tombar de vez. Até hoje o bispo é representado dessa maneira, segurando a cabeça nas mãos.

Crédito: Thesupermat (CC BY-SA 3.0), Commons.Wikimedia. 

A HISTÓRIA DA BASÍLICA

Crédito: Msadp06 (CC BY-SA 3.0), Commons. Wikimedia.

No local onde São Denis tombou e foi enterrado foi construído um pequeno monastério, substituído no século VII por uma abadia construída a mando do Rei Dagoberto. A intervenção do rei atrai atenção ao lugar, que acabou por se tornar local de peregrinação. Essa abadia cresceu em tamanho e importância, tornando-se  o mausoléu dos reis franceses. Com algumas exceções (como Carlos Magno, por exemplo), todos os reis e rainhas franceses estão enterrados lá. 

DESTRUIÇÃO DURANTE A REVOLUÇÃO

Durante a Revolução francesa, tudo que era relacionado à monarquia se tornou um alvo. Em 1793 os revolucionários invadiram a abadia e destruíram várias tumbas. Os restos mortais da realeza francesa foram jogados em uma vala comum e misturados com cal, e a basílica foi praticamente abandonada.

Com o fim da revolução e a posterior restituição da monarquia na França, a abadia começou a ser reconstruída. Para tornar a abadia novamente a necrópole real, o rei Luís XVIII ordenou que as tumbas fossem restauradas, e que os restos mortais retirados das tumbas fossem encontrados e restituídos, mas somente uma parte dos restos foi encontrada. Os ossos encontrados foram depositados em um Ossuário localizado dentro da basílica.

A antiga cripta da Basílica de Saint-Denis.

Visitar Saint-Denis é como abrir um livro de história. Tumbas de membros de todas as dinastias reais francesas, monarcas que tiveram participação decisiva em grandes acontecimentos da história europeia e que são conhecidos até por quem não conhece história podem ser visitados. Vejamos algumas tumbas:

CLÓVIS

Túmulo de Clóvis, primeiro Rei da França, enterrado na basílica de Saint-Denis, perto de Paris.

Considerado o primeiro rei francês, e também o primeiro rei a abraçar o cristianismo, Clóvis é o fundador da chamada Dinastia Merovíngia, que governou a França de 481 até 751 d.C.

DAGOBERTO

Túmulo do Rei Dagoberto, o fundador da basílica de Saint-Denis, próximo a Paris.

Dagoberto foi o fundador da basílica de Saint-Denis, e considerado o último rei da dinastia merovíngia a exercer o poder de fato. Os reis dessa dinastia tinham o costume de dividir o reino entre os filhos, que muitas vezes assumiam o trono ainda crianças. Isso fortaleceu o poder dos prefeitos do palácio (o cargo mais alto dentro do reino, logo abaixo do rei) que , na maior parte das vezes, assumiam o poder como regentes, acelerando o surgimento de uma nova dinastia.

CARLOS MARTEL

Túmulo de Carlos Martel, na Basílica de Saint-Denis, perto de Paris.

Era prefeito do palácio de Paris (um dos cargos mais altos dentro do reino) e impediu a França de ser invadida pelos Árabes na batalha de Poitiers, em 732 d.C. Embora não tenha sido rei, é considerado um dos responsáveis pela chegada ao poder – através de seu filho Pepino, o Breve – da dinastia Carolíngia, que governou entre 751 e 987 e teve em Carlos Magno seu maior representante.

FILIPE IV, O BELO

Túmulo de Felipe IV, o Belo, rei francês responsável pelo fim da Ordem dos Templários.

Filipe IV foi o rei responsável pelo fim da Ordem dos Cavaleiros Templários, ao acusá-los falsamente e com a ajuda do papa, de blasfêmia. Em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, Jacques de Molay, último Grão-Mestre dos Templários foi queimado vivo junto com outro cavaleiro, Geoffroy de Charney. Esse fato deu origem ao mito da sexta-feira 13 como um dia de azar.

LUÍS XVI E MARIA ANTONIETA

Túmulo de Luis XVI e Maria Antonieta. Crédito: Eric Pouhier (CC BY-SA 2.5), Commons.Wikimedia.

Luis XVI era o rei francês quando estoura a Revolução Francesa. Ele e sua esposa, a Rainha Maria Antonieta, foram presos, acusados de conspirar contra o Estado, e encontraram a morte na guilhotina.

Além destes, podemos destacar também Hugo Capeto, Primeiro rei da dinastia Capetíngia, Felipe Augusto, conhecido pela terceira cruzada além, é claro, de Luis XIV, o Rei Sol, responsável pela criação do Palácio de Versailles e um dos reis mais conhecidos da França.

BASÍLICA DE SAINT-DENIS

1 rue de la Légion d’ Honneur (estação Basilique Sainte-Denis, linha 13 do metrô).

Horário: de 2 de janeiro à 31 de março, e de 1 de outubro à 31 de dezembro das 10h00 às 17h15 (domingos das 12h00 às 17h15); de 1 de abril à 30 de setembro, das 10h00 às 18h15 (domingos das 12h00 às 17h15).

Preço: 9 euros

SITE OFICIAL


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    Umberto Oliveira

    Umberto Oliveira

    Olá, eu sou o Umberto. Historiador de formação, viajante por opção. Resolvi criar um blog para juntar essas duas paixões e compartilhar um pouco das minhas experiências. Preparados para viajar na história?

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